Deu vontade de falar, fale! Pensou em escrever, escreva! Não deixe para Domingo após o fim do jogo aquilo que você de certa forma pressentiu.
Eu sei que de nada vai adiantar dizer que eu queria enfrentar o Flamengo na final, mas essa preferência é uma questão lógica. O Fla vem levando vantagem sobre o Vasco na última década, ou melhor, nos últimos dez anos, contudo, a história desse derby aponta para um equilíbrio. Por outro lado, desde que eu me entendo por gente, assisti a duas finais entre Vasco e Botafogo e em ambas as partidas o Alvinegro levou a melhor. Em 1990 o Fogão venceu por 1 x 0 levantando o caneco do Estadual e em 1997 a sina se repetiu, com direito àquela patifaria feita por Edmundo - um prenuncio do que hoje viria a ser o hit baiano "rebolation".
Até outro dia pensava ser eu o azarado, mas não, a história é ainda mais complexa. Apesar de ser o maior freguês do time da Colina, o Botafogo jamais perdeu uma decisão para o Vasco. Isso é que é tabu!
Para analisar a partida de hoje, preciso remeter ao jogo entre Botafogo e Flamengo. Já naquela partida o Fogão mostrava qual seria seu plano para levantar a Guanabara. Méritos a Joel Santana, que teve a humildade de admitir publicamente que seu time era inferior tecnicamente frente a Flamengo, Vasco ou Fluminense. Fosse quem fosse o adversário, a tática estava traçada: Antes de atacar, defender, mas defender-se de verdade. Montou um time com três zagueiros, três cabeças de área e apenas um lateral de ofício, adaptando um cabeça de área na lateral esquerda. Sete jogadores compunham a defesa, isso sem contar quando Loco Abreu e Herrera não davam uma mãozinha. O ferrolho estava armado.
Resultado:
A exemplo do que fizera o Fla, o Vasco jogou com um certo salto alto. A diferença é que o rubro-negro criou mais oportunidades de gol e as perdeu. O Botafogo jogou sério, limpo, na bola. Algumas vezes ganhou no grito, como Marcelo Cordeiro fez com Philipe Coutinho que abusou de dribles pouco objetivos e jogadas de efeito que não funcionaram. O time de Joel sabe de suas limitações e por isso jogou para vencer.
A partida foi feia, mas quem disse que jogo de final é bonito? Inúmeros passes errados, erros grosseiros, faltas duras, pênalti não marcado e expulsões. Teve de tudo. O Botafogo abriu mão da posse de bola, mas não de jogar. Jogou à sua maneira, defendendo-se e levantando a bola na área em toda a oportunidade que surgia. Se desse, até o goleiro Jéferson levantaria um tiro de meta na área do Vasco. O Botafogo mereceu vencer até com certa folga, não fosse a fragilidade técnica de seu ataque o placar poderia ser mais confortável. A dupla Loco-Herrera supri a técnica com muita garra.
Parabéns ao Botafogo, pois além de ser campeão, garantir vaga na final do Estadual, derrubou um dos últimos times invictos do Brasil. Agora é torcer para o Vasco chegar novamente a final, por que se assim for, o Fogão já pode colocar a faixa de campeão no peito. Êta tabuzinho indigesto!
Ah, já ia me esquecendo... Eu previ esse troco logo após aquela sonora goleada, lembram?
"Não assisti a esse jogo, mas assisti aos 4 x 1 aplicados pelo Vasco no ano passado em cima desse mesmo Botafogo e lembro que, mais tarde, no turno seguinte o troco foi impiedoso naquela fatídica semifinal da Taça Rio em que Maicossuel lavou a alma alvinegra. Em outras palavras: Já vi esse filme. Se existe time predestinado ao improvável, este é o Botafogo."
Ps.: É meu caro RAC, não teve jeito, vou ter de pagar o pirulito que apostamos.
"Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração..."